quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

BENEFICIOS PAGOS COM A INGRATIDÃO


    
        

Que se deve pensar dos que, recebendo a ingratidão em paga de beneficios que fizeram, deixam de praticar o bem para com os ingratos?
     Nesses, há mais egoísmo do que caridade, visto que fazer o bem, apenas para receber demonstrações de reconhecimento, é não o fazer com desinteresse, e o bem feito desinteressadamente, é o único agradável a Deus. Há também orgulho, porquanto os que assim procedem se comprazem na humildade com que o beneficiado lhes vem depor aos pés o testemunho do seu reconhecimento. Aquele que procura, na Terra, recompensa ao bem que pratica não a receberá no céu. Deus, entretanto, terá em apreço aquele que não a busca no mundo.
     Deveis sempre ajudar os fracos, embora sabendo de antemão que os a quem fizeste o bem não vo-lo agradecerão. Ficai certos de que, se aquele a quem prestais um serviço o esquece, Deus o levará mais em conta do que se com a sua gratidão o beneficiado vo-lo houvesse pago. Se Deus permite por vezes sejais pagos com a ingratidão, é para experimentar a vossa perseverança em praticar o bem. 
     E sabeis, porventura, se o beneficio momentaneamente esquecido não produzirá mais tarde frutos? Tende a certeza de que, ao contrário, é uma semente que com o tempo germinará. Infelismente, nunca vedes senão o presente; trabalhais para vos e não pelos outros. Os beneficios acabam por abrandar os mais empedernidos corações; podem ser olvidados neste mundo, mas, quando se desembaraçar do seu envoltório carnal, o Espírito que os recebeu se lembrará deles e essa lembrança será o seu castigo. Deplorará a sua ingratidão; desejará reparar a falta, pagar a divida noutra existência, não raro buscando uma vida de dedicação ao seu benfeitor. Assim, sem o suspeitardes, tereis contribuido para o seu adiantamento moral e vireis a reconhecer a exatidão desta máxima: um beneficio jamais se perde. Além disso, também por vós mesmos tereis trabalhado, porquanto granjeareis o mérito de haver feito o bem desinteressadamente e sem que as decepções vos desanimassem.
     Ah! meus amigos, se conhecesseis todos os laços que prendem a vossa vida atual às vossas existências anteriores; se pudesseis apanhar num golpe de vista a imensidade das relações que ligam uns aos outros os seres, para o efeito de um progresso mútuo, admirarieis muito mais a sabedoria e a bondade do Criador, que vos concede reviver para chegardes a ele. - Guia protetor. (Sens, 1862) - ESE - Cap XIII, item 19.

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